Um Dia em Cadeira de Rodas na Póvoa de Santa Iria

Sérgio Lopes
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No passado dia 21 de Maio, a Mithós realizou mais ‘’Um dia em cadeira de rodas’’, desta vez na Póvoa de Santa Iria.

Com resultados práticos ou não, este tipo de iniciativas tem de ser feito, não só para alertar os responsáveis das nossas autarquias para a falta de locais acessíveis, mas também para sensibilizar a população em geral para o facto de este não ser apenas um assunto das pessoas com mobilidade condicionada, mas sim de todos.

Início do percurso
Início do percurso

Ao longo dos últimos tempos, as ruas foram projectadas a pensar nos automóveis e não nos peões. Basta olharmos para a largura dos passeios, onde, na sua grande maioria, duas pessoas não conseguem cruzar-se sem que uma se tenha que desviar da outra. Isto já para não referir que, para além de os passeios serem estreitos, ainda aí são colocados postes de iluminação, papaleiras, MUPIs (Mobiliário Urbano Para Informação), mesmo no meio.

Durante anos, as acessibilidades foram abordadas caso a caso, consoante eram feitos alguns pedidos ou reclamações e mesmo nestes casos eram resolvidos tardiamente e alguns nunca foram resolvidos. Hoje já esperávamos que este não fosse um problema na execução de algumas obras, nomeadamente as de responsabilidade pública, passadeiras, passeios, acessos a edifícios públicos, etc.

Mesmo as pessoas que não sofrem de mobilidade condicionada acabam por procurar lugares onde os passeios são contínuos e sem obstáculos. Basta pensarmos que, hoje em dia, se uma pessoa quiser andar um pouco, tem de ir à procura de caminhos pedestres como os passeios ribeirinhos na Póvoa e em Alhandra.

Dos mais de 130 mil habitantes que existem no Concelho de Vila Franca de Xira, cerca de 30 mil estão na Póvoa (40 mil na União de Freguesias Póvoa Santa Iria e Forte da Casa). Quando a Póvoa começou a aumentar a sua população, algumas pessoas diziam que a cidade era um ‘’dormitório’’. A população era jovem, ativa e com boas expectativas de trabalho.

E quando esta população ficar envelhecida e com a mobilidade condicionada devido ao desgaste da idade?

Esclarecimento sobre algumas falhas na acessibilidade
Esclarecimento sobre algumas falhas na acessibilidade

Não podemos contar só com a actualidade e devemos sempre pensar nestes assuntos para o futuro, futuro que será nosso mais tarde ou mais cedo. Devemos pensar que antes de ter qualquer carro ou outro veículo para nos deslocarmos, somos sempre peões, desde que nascemos até morrermos.

Neste dia, tivemos o prazer de contar com a presença do responsável pela Requalificação do Espaço Urbano da Póvoa, o Arquitecto João Luís, e da Sr.ª Vereadora da Câmara Municipal, Dr.ª Fátima Antunes, que ficaram algo admirados com alguns dos obstáculos que fomos encontrando. No fim do percurso, ficou a promessa deixada pelo Sr. Arquitecto João Luís, de rever e melhorar em breve estas situações.

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Ainda esta semana, recebi a notícia de que, brevemente, algumas das passadeiras em Vila Franca vão ser melhoradas, com acessibilidade para todos os peões. Poderia ficar assustado com mais uma intervenção desastrosa e sem ser pensada para os peões com mobilidade condicionada, mas depois de me contarem alguns pormenores de como vai ser a execução, fiquei mais descansado e confiante no trabalho que irá ser feito. Agora resta-nos aguardar e confiar no que aí vem.

*Fotografias de Patrícia Fonseca

Sérgio Lopes

Chamo-me Sérgio Lopes, tenho 33 anos e nasci a 16 de Abril de 1982. Moro na Póvoa de Santa Iria. Sou tetraplégico desde o dia 5 de Maio de 2003 na sequência de um acidente pessoal com uma queda de um tecto de uma obra numa casa de férias. Trabalhei como pasteleiro durante 4 anos antes do acidente. Faço parte da Mithós-Histórias Exemplares, do Movimento (d)Eficientes Indignados e colaboro com o Centro de Vida Independente. Continuo ligado aos Bombeiros da Póvoa de Santa Iria como bombeiro de 2ª Classe no quadro de reserva.

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