Votar
1965. Há 52 anos. Havia eleições em Portugal? Haver, havia, mas não era a mesma coisa. Recordemos que era um país de analfabetos – em 1960, 4 em cada 10 portugueses não sabiam ler nem escrever
Só podiam votar os que tivessem sexo masculino, soubessem ler e escrever ou, não sabendo, tivessem algum rendimento (analfabeto e pobre, então, nem pensar).
E as mulheres? Ainda menos, tinham que ter cursos médios, não bastava saber ler nem escrever, ou serem chefes de família (leia-se “sem homem que as guiasse” – viúvas, por exemplo), com rendimentos. Se fossem casadas e tivessem rendimentos, mesmo analfabetas, para votar tinham de pagar o dobro dos homens anualmente, para terem o mesmo direito de voto. Uma lei de 1946, que se manteve em vigor.
Ora aconteceu que muitas destas mulheres criaram filhos e netos, e filhas e netas, e incentivavam gerações a ir à escola, aprender e formar capacidade de ler e entender, criticar e mudar. 9 anos depois destas eleições, e 38 depois daquela lei fascista, muitas mulheres de todas as condições e graus de instrução apoiaram os militares de Abril, quase todos com menos de 40 anos de idade, e a revolução.
Nas primeiras votações depois do 25 de Abril, elas eram imensas, eles eram muitos, faziam filas e filas, e votaram. A melhor resposta à ditadura – não ter medo, participar, sentir-se igual e cidadão. E votar. Agradeço a partilha da imagem à Helena Pato, no precioso grupo do Facebook Fascismo nunca mais, que vai em mais de 12000 membros.
Estatísticas de educação – ver pg. 18 do vol. II sobre a evolução do analfabetismo
http://www.dgeec.mec.pt/np4/172/
Subscrever Bacalhau Basta
[wysija_form id=”12″]

