Alma que arde
Tristeza. Armagura. Impotência.
Há uns 10 anos os meus pais compraram uma casa encostada ao pinhal de Leiria, na Pedra do Ouro. Desde o dia que fui lá pela primeira vez, aquele cheiro do pinhal nunca mais saiu de mim.
Era de facto um sítio especial, até segunda-feira.
O Pinhal de Leiria era muito mais do que uma mata, era património nacional com oito séculos de história. Ardeu 80%.
Não quero dizer mal gratuitamente, nem tenho competência para comentar fogos nem estratégias de protecção civil, mas ninguém nos pode tirar o direito à indignação.
A demissão da Ministra da Administração Interna era, para mim, inevitável. Todos podemos perceber que a culpa não era apenas dela, mas, sendo ela quem responde em nome do Estado, perante 100 mortos, pedia-se alguma sensatez, o que acabou por não acontecer.
O fogo enegreceu Portugal. Parece-me que há perguntas que devem ser feitas e que ninguém quer fazer, que ninguém tem coragem de elaborar.
Assistir aos fogos à distância, dói. Resolvam o problema.
Imagem: DR
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