Obrigada, Aylan
A imagem provoca mal-estar. Até mais do que isso. É o horror a cores. Aylan é um menino como tantos outros meninos. Mas este, apesar de não o saber, ficou famoso. Pena ter sido necessário chegar a isto para acordarmos.
Meninos, mulheres e homens estão a dar à costa. “O mar tudo devolve”, dizem os entendidos. Mas nós não queremos que o mar devolva pessoas. Muito menos que tenhamos que saber. E ficar chocados com isso.
O conflito na Síria já dura há 4 anos. E desde então vários milhares de pessoas, como tu e eu, fogem a todo o custo. E todo o custo, é enfiar crianças num barco insulflável e dizer-lhes que vão dar um passeio.
As crianças não têm culpa. Mas são quem mais choca, quem mais sofre e a personificação viva do horror. Aylan, o menino Sírio de 3 anos deu à costa e sacrificou-se para que o mundo olhe para eles. Aylan, sem saber, representa os números da tragédia, representa todo o sacrifício e a vontade de viver em paz.
O menino morreu. E a imagem da fotógrafa turca chocou o mundo. Que tipo de pessoas somos? Quem queremos ser e que exemplo estamos a passar para os nossos filhos? O Aylan respondeu a isso, mesmo sem saber.
Obrigada, Aylan. Por teres despertado “qualquer coisa” nas pessoas. Por, apesar de não teres conseguido chegar onde querias, te teres mostrado, tão simples, como só uma criança o consegue fazer. Que se mudem mentalidades, já. É urgente acabar com isto.
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