Uma escola numa montanha na China
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Esta semana não tenho um programa radiofónico para vos mostrar porque foi interrompido para que eu pudesse fazer uma viagem. E é isso que venho partilhar aqui hoje convosco.
A rádio é uma das minhas paixões, mas não é a única. Quando cheguei a Macau, há quase 5 anos, à procura de trabalho, encontrei-o numa empresa chamada CICE que tinha como intuito introduzir, nas escolas de cá, criatividade, pensamento critico, enfim, diferentes formas de aprendizagem que não incluíssem o método de memorização que é o mais habitual na cultura Chinesa. Estávamos as 3, a mentora do projecto, Micaela de Senna Fernandes, a Patrícia Norte e eu em reunião tipo conversa de café, acerca da disciplina de Estudos Sociais que estávamos a ensinar em Inglês na altura, na escola primária, quando a conversa foi parar à diferença entre o «mundo rico» e o «mundo pobre».
Para vos contextualizar, devo explicar que, por cá, as crianças vivem com mais do que a maioria das crianças no mundo vive, em média. Como são crianças, conhecem pouco mais do que a realidade que lhes é mostrada, e apercebemo-nos que se vêem normalmente como crianças, não diria pobres, mas, pelo menos, não ricas. Pareceu-nos que devíamos fazer alguma coisa em relação a isso. E foi assim que juntámos a capacidade de fazer contactos com a experiência em montar espectáculos musicais com crianças e a vontade de trabalhar e juntámos cerca 70 alunos – entre coro, actores e figurantes – para executar um espectáculo de beneficência que não só os ajudasse a perceber que há tantas crianças no mundo a precisar de ajuda, como também que o trabalho e a dedicação deles poderiam ser materializados nessa ajuda. Que basta cada um de nós querer.
A escola deu-nos total apoio e, quando demos por nós, já tínhamos a banda do Secundário a tocar no espectáculo ao vivo, professores de todas as disciplinas a ajudar, e a comunidade escolar a pagar bilhete e a doar dinheiro para a causa escolhida. No 1º ano levantámos fundos para a UNICEF usar em escolas nas Filipinas; no 3º ano levantámos dinheiro para ajudar uma fundação de apoio a órfãos no Uganda, e, no 2º ano, levantámos fundos que foram suficientes para construir um edifício para o ensino pré-escolar numa escola numa montanha na China. A escola para os pequeninos está pronta, e foi para ir participar na sua inauguração que não pude estar presente para fazer o programa de rádio habitual.
Valeu a pena não poder. Aqui vos deixo um testemunho do cumprimento de um sonho.

