Desabafo
Detesto a falta de educação, mas adoro a irreverência.
Uma manhã destas, na sala de espera do Centro de Saúde cá da vila, uma jovem mulher bem morena, africana ou descendente, com um bebé ao colo, esperava ser chamada para a consulta. O bebé começou a choramingar, ela embalou-o nos braços, levantando-se, andou um pouco de um lado para o outro, mas o menino não se calou. A mãe então sentou-se, olhou para nós todos, que também esperávamos a consulta, com a maior das calmas, desabotoou a blusa, tirou um seio túrgido e belo e disse-nos:
– Já todos viram uma mama, certo? Pois o meu filho tem fome e eu vou dar-lhe de mamar!
De volta alguns discretos sorrisos, ninguém falou, mas tenho a certeza que todos, homens e mulheres presentes, a aplaudimos em silêncio. E o sol, espreitando na janela, acompanhou-nos.
Imagem: Pixabay


Escreve como poucos, com o peso de cada palavra bem medido, e com uma sensibilidade invulgar.
Os meu parabéns! É sempre um prazer vir aqui ler as suas estórias!