Dias de chuva, dias de frio, dias de cultura ou como tornar o seu quotidiano mais rico e feliz!

Rui Brito Fonseca
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No nosso país, de um modo geral, mal caem os primeiros pingos de chuva as ruas ficam vazias. Com o melhor equilíbrio climático da Europa, ou pelo menos um dos melhores, os portugueses, assim que começa a ficar frio e o céu a carregar-se de nuvens, fogem das ruas.

Uns fecham-se em casa, essencialmente a consumir produtos televisivos enlatados de má qualidade. Outros correm para os centros comerciais, na procura de um ambiente quente e de vislumbrar as montras das lojas, cujos 600 euros líquidos do seu salário dificilmente permitirão comprar o que quer que seja. Entre o calor enganador e pouco saudável produzido pelos ares condicionados dos centros comerciais e as lojas – todas iguais em todo o lado – das cadeias de vendas internacionais, num centro comercial apinhado de gente, dificilmente aprenderemos algo que nos enriqueça como seres humanos. Entre a ilusão da TV doméstica e a ilusão dos centros comerciais, os portugueses preenchem os seus dias de frio e chuva com o consumo de sonhos que dificilmente concretizarão.

Somos um povo que, na sua esmagadora maioria, ainda não descobriu o prazer de passear ou brincar com as crianças num jardim ou numa floresta num dia frio. Com um bom agasalho e calçado a preceito, um passeio de inverno num parque pode ser uma experiência muito enriquecedora e saudável. Em dias de frio, também podemos aproveitar para conhecer melhor o nosso património edificado. O nosso país é riquíssimo em termos patrimoniais e museológicos, sendo a maior parte dos monumentos nacionais e museus de acesso gratuito ou mediante o pagamento de um preço muito baixo. A opção pela visita a um castelo, uma igreja, um centro histórico de uma cidade ou um museu, será quase sempre mais gratificante, saudável e barata que uma ida a um centro comercial ou que ficar em casa a olhar para um televisor.

Em dia de chuva intensa, naturalmente que um passeio num parque ou pelas ruas de um qualquer centro histórico podem tornar-se numa experiência pouco agradável. Como tal, as opções ficam mais limitadas, sendo melhor escolher um local fechado e abrigado.

Desta feita, a opção pela visita a um palácio ou um museu parece ser a mais razoável. Felizmente, a riqueza patrimonial do nosso país permite que possamos visitar um palácio a cada fim-de-semana, fazendo de cada período de descanso um período de enriquecimento pessoal. Para além disso, temos os museus. Existem museus sobre quase tudo – a diversidade de espaços museológicos existente no nosso país é tal, que o enfado e a repetição não tomarão parte dos nossos fins-de-semana.

Pessoalmente, o último museu que visitei situa-se num espaço improvável, desde 1994 – uma estação de metro. Se boa parte da rede do Metropolitano de Lisboa é, por si só, uma galeria de arte contemporânea portuguesa de acesso quase gratuito, para além disso, ela encerra um pequeno mas interessante museu.

Foi num destes dias de muita chuva e muito frio que pus os pés ao caminho e, através da rede do Metropolitano de Lisboa, cheguei com rapidez e comodidade à estação do Alto dos Moinhos. Na estação do Alto dos Moinhos, podemos encontrar o Museu Nacional da Música. Apesar de a sala de exposições não ser muito grande, é possível observar uma boa colecção de instrumentos musicais, quer antigos quer modernos, não esquecendo alguns instrumentos tradicionais. Com uma das mais ricas colecções de instrumentos da Europa, o museu da música conta ainda com um importante acervo documental, fonográfico e iconográfico. A exposição permanente visita-se em menos de uma hora, permitindo uma agradável experiência cultural, a sós ou em família.

O argumento do custo do acesso a estes equipamentos culturais não colhe, pois, normalmente, para aceder a um espaço como este, paga-se o mesmo que pagaríamos por uma tosta mista ou uma torrada e um galão. Ir ao futebol ou a um qualquer festival de música é sobejamente mais caro. É uma questão de opções e do que queremos para nós e para o país!

O que está em causa é a opção entre a acefalia e a felicidade paradoxal da sociedade de consumo e o enriquecimento pessoal e a aprendizagem!

Naturalmente, sabemos que a maioria opta pelo centro comercial e pelo brilho das luzes dos espaços comerciais, mas pela minha parte a opção está feita: os centros comerciais não são para passear, mas sim para fazer compras!

No próximo fim-de-semana não fique em casa nem vá ao centro comercial, descubra a sua cidade e aprenda com o seu país!

Comentários

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Rui Brito Fonseca

“Expatriado” – no sentido em que está fora do seu destino de nascimento - da minha cidade há mais de uma década por opção, mas Vila-franquense por nascimento e convicção, sou um apaixonado pela cidade (onde me fiz gente) e pelo rio que a constrange. Doutorado em Sociologia e com um percurso superior a 10 anos na investigação científica, sou docente no ensino superior e consultor. Mais que tudo, é o prazer de comunicar e a necessidade de exprimir conhecimentos e interpretações das realidades quotidianas que me fazem abraçar este projecto. Espero ser útil…

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5 thoughts on “Dias de chuva, dias de frio, dias de cultura ou como tornar o seu quotidiano mais rico e feliz!

  • 15 Fevereiro, 2016 at 21:08
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    Previsivelmente, sempre que lhe faltam os argumentos lá recorre invariavelmente aos chavões do “delito de opinião”, “liberdade democrática” e outros que tais. Como se a contra-argumentação e o contraditório que lhe dirijo não fossem em si mesmas um exercício dessas suas evocações… E a “riqueza da liberdade democrática”, ao contrário do que diz, não é aceitarmos tacitamente a opinião uns dos outros. É podermos discuti-la, discordar e dissidiar se for caso disso.

  • 15 Fevereiro, 2016 at 11:25
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    Dava-lhe jeito que não tivesse entendido… Mas há umas croniquetas a esta parte que já o entendo muito bem.
    Apenas 2 exemplos de maniqueísmo e preconceito retirados da croniqueta, de entre muitos ali expressos:
    1-“O que está em causa é a opção entre a acefalia e a felicidade paradoxal da sociedade de consumo e o enriquecimento pessoal e a aprendizagem!”
    2-“Uns fecham-se em casa, essencialmente a consumir produtos televisivos enlatados de má qualidade. Outros correm para os centros comerciais, na procura de um ambiente quente e de vislumbrar as montras das lojas, cujos 600 euros líquidos do seu salário dificilmente permitirão comprar o que quer que seja.”
    Consegue entendê-los?
    E deixe lá de uma vez por todas o adjetivo “caro”, que este só faz sentido quando as partes nutrem algum tipo de amizade recíproca. Caso contrário, é apenas uma demonstração gratuita de paternalismo. Se quer parecer bem educado há outras formas de o fazer. Como é óbvio.

    • 15 Fevereiro, 2016 at 19:15
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      Meu caro,
      Como deve ter reparado, este é um artigo de opinião. Por enquanto, ainda vivemos em liberdade democrática onde a expressão de uma opinião não é delito. Eu estou a exprimir a minha opinião sobre um assunto, de forma aberta e livre.
      Destarte, peço-lhe que aceite a minha opinião – sem rótulos ou indelicadeza -, do mesmo modo que eu aceito a sua. É esta a riqueza da liberdade democrática!
      Cumprimentos,

  • 13 Fevereiro, 2016 at 19:44
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    “Dias de chuva, dias de frio, dias de cultura ou como tornar o seu quotidiano mais rico e feliz!” (salve ó Grande Timoneiro, que nos conduzes pelo nublosos caminhos desta vida). Para este escriba, a Humanidade divide-se entre eruditos demiurgos e pobrezinhos acéfalos. Não há nada de permeio… Esta croniqueta poderia bem intitular-se “Maniqueísmo e preconceito”. Um título bem mais adequado ao conteúdo. A ideia até era boa mas a sua soberba tolda-lhe o discernimento. Aguardo a sua próxima croniqueta na esperança de finalmente ser surpreendido pela positiva. Cá estarei então para o cumprimentar.

    • 14 Fevereiro, 2016 at 17:48
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      Meu caro,
      Vejo que não entendeu o que escrevi. Talvez não tenha sido claro o suficiente…
      Não me parece que passear num parque ou visitar um castelo ou um museu, seja uma tarefa para eruditos. Do mesmo modo, fruir o património natural ou o edificado, parece-me algo banal e nada dispendioso, acessível a qualquer bolsa (pois normalmente é gratuito). Talvez vocês esteja a olhar para o que escrevo com algum preconceito, pois está a fazer interpretações distantes das minhas palavras.
      Cumprimentos,
      Rui Brito Fonseca

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